Por que eu ainda uso o Twitter

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Desde que deletei minhas contas do Facebook e do WhatsApp, há mais de um ano, meu bem-estar sofreu uma melhora muito mais substantiva do que eu esperava. É verdade que mantenho uma conta no Instagram, mas tomo o cuidado de abrir o aplicativo apenas uma vez por mês, ou algo assim, estritamente para avisar quando publico um vídeo novo no YouTube. Fecho o app imediatamente após concluir a tarefa. (A menos que eu tenha que explicar isso para alguém que tenha me mandado mensagem privada por ali.) Já o Twitter, uso diariamente.

A explicação dessa diferença é simples. O Twitter permite que eu o controle, porque ele permite que o seu serviço seja usado com um cliente de terceiro. Isso quer dizer que eu nunca vejo os tais "trends", por exemplo, assim como nunca vejo tweets promocionais. Na verdade, nunca vejo tweets de pessoas que não sigo. Na verdade mesmo, eu não vejo nem os tweets de quem eu sigo. Quando eu abro o cliente que uso — no caso, o Tweetbot — ele já abre diretamente na última lista que eu visualizei, mostrando apenas os tweets de quem faz parte dessa lista, em ordem cronológica, e eu só leio algumas das minhas listas (nunca dá tempo de ver todas).

Para entrar na minha lista, o critério é simples: você precisa ser monotemático e tuitar sobre um assunto sobre o qual eu queira me informar. As exceções são alguns professores que estão na minha lista de filósofos. Mas eu só os mantenho na lista quando eles falam, ao menos prioritariamente, de filosofia e vida acadêmica. Tem gente que eu até gostaria de incluir em alguma lista, mas não faço isso, porque são contas pessoais, nas quais, naturalmente, a pessoa se sente livre para dar opinião sobre tudo e mais um pouco e, acima de tudo, sobre o que está na ordem do dia. E eu odeio jornalismo!!!

Assim, a minha tática para usar a internet, da qual o Twitter faz parte, é muito simples: só me informo sobre o que busco intencionalmente me informar e só ouço especialistas no assunto. Polarização política? Não sei mais o que é isso. Graças a Deus!

Mas não é que outro dia fiz a besteira de abrir o Twitter pelo navegador do computador? Pois é, depois de tanto tempo, eu até tinha me esquecido que eu só tolerava o Twitter por sempre entrar nele com um daqueles trajes que o pessoal da CDC usa nos filmes sobre epidemias. Entrei um minuto sem meu traje e já me deparei com uma praga! E o curioso — o que me inspirou a escrever este post, na verdade– é que quem retuitou o tweet que estragou o meu dia também se indignou com o conteúdo dele.

É aquela coisa típica do Twitter, como bem sei dos tempos em que eu ainda o usava sem meu traje especial: a pessoa dá visibilidade para tudo que ela mais odeia. Ela retuita para comentar o tamanho da ignorância ou da falta de caráter de quem ela retuitou.

Será que não percebem como esse comportamento é tóxico? Nunca pararam para pensar como o mundo seria melhor se os piores formadores de opinião fossem simplesmente ignorados? Acho até que percebem. Acho que o fato é que quem retuita por indignação também está faturando nesse jogo. Ao fazer isso, a pessoa está justamente sinalizando virtude para o seu grupo, o grupo que a segue, a responde, a retuita e a favorita.

O extremismo de cada um dos pólos nada mais é do que uma oportunidade para o outro faturar. Um pólo vive do outro, jogando para a sua própria galera. Por isso, um pólo jamais vai ignorar o outro e deixar de ser reativo.

Portanto, se, assim como eu, você já cansou desse joguinho tribal esquerda vs. direita e quer mais racionalidade na vida pública, meu conselho é o seguinte: baixe o Tweetbot e faça suas próprias listas.

Professora de filosofia