Os Apps que eu uso e por que são tantos — Parte II (Ulysses)

Esta é a segunda parte do meu post sobre ferramentas (ou apps, como queira). Então, se você quiser começar a leitura pelo começo, clique AQUI. De toda forma, agora, eu passo aos apps para escrita. Ou, como seria mais preciso dizer, ao app para escrita.

Apps para escrever

Neste ponto, eu preciso fazer um parêntese. Infelizmente, o app que eu uso e recomendo para escrever só está disponível nos sistemas MacOS e iOS. Inclusive, fica o alerta para você tomar cuidado com falsas versões que foram feitas para Windows, dado o sucesso deste app. Para piorar, não se trata de um app gratuito. Na verdade, fica pior ainda. Atualmente, trata-se de um app comercializado exclusivamente por assinatura. Não há a opção de compra definitiva da licença.

Como você já deve saber, eu estou falando do Ulysses, um app alemão que, no meu entender, desbancou o Scrivener como melhor software para você escrever seu manuscrito. Eu acredito que a principal razão do sucesso do Ulysses seja o fato dele ter emergido como um editor minimalista baseado em markdown (se você não sabe o que é isso, explico daqui a pouquinho do que se trata). Enquanto o Scrivener parece um Word muito mais complexo e difícil de usar, o Ulysses permite que você simplesmente escreva sem pensar em formatações e configurações. E isso para a gente não entrar no detalhe da diferença de nível de dificuldade entre a exportação do Ulysses e a compilação do Scrivener. Aí já seria covardia!

Mas é verdade que o Ulysses não venceria essa batalha de titãs — na verdade, ele nem conseguiria entrar nela — se ele fosse apenas mais um bom editor minimalista, como, por exemplo, é o iA Writer. Se você quer usar mais ferramentas, o Ulysses as oferece.

Assim como ocorre no Scrivener, o Ulysses também se baseia na ideia de que você, provavelmente, quer desenvolver um texto longo trabalhando em partes dele separadamente. Essa é uma sacada muito importante nesses apps que se pretendem como verdadeiros estúdios para os escritores, e não meros processadores de palavras, como, me desculpem, considero ser o caso do Word.

No caso do Ulysses, a unidade mínima do app é o que eles chamam de “folha”, mas, claro, essa folha pode se estender indefinidamente. Você não precisa escrever seu texto em partes se não quiser. Porém, se você quiser, você forma um grupo de folhas e o Ulysses é capaz de tratar esse grupo como uma unidade a ser exportada em um arquivo só, como um único livro ou artigo. Inclusive, você também pode marcar algumas folhas do grupo como “material” para que elas não sejam exportadas para seu arquivo final, além de poder selecionar manualmente quais folhas você quer que sejam incluídas no arquivo final.

Outros pontos que eu destaco sobre o Ulysses são, primeiro, a diversidade enorme de temas que você instala facilmente; segundo, a facilidade com que você abre duas folhas lado a lado, para trabalhar nelas simultaneamente; terceiro, a busca inteligente e eficiente, tanto no nível global quanto internamente a cada folha; quarto, a possibilidade de você criar filtros nos grupos, criando uma área secundária ao grupo principal, em que você visualiza apenas uma parte das folhas do grupo, conforme o critério selecionado por você; quinto, a possibilidade de você acrescentar objetivos e deadlines aos grupos, acompanhando o seu progresso diário na escrita. Enfim, esses são apenas os meus destaques. O Ulysses oferece mais e eu torço para que você tenha a oportunidade de conferir.

Bom, eu uso tantos apps no processo da escrita que, a esta altura, se você leu o primeiro post da série, você já deve estar meio perdido. Vamos recapitular então? Eu tenho usado o Roam Research como meu laboratório de ideias, ou seja, ele é minha ferramenta quando quero escrever para pensar. Depois, eu escrevo no Obsidian as notas que considero publicáveis como seções ou parágrafos potenciais de futuros projetos, que são, portanto, notas que pretendo guardar por um tempo indefinido, talvez, pela vida toda. Por fim — ufa! — escrevo no Ulysses o manuscrito que já decidi publicar, trazendo para ele o material do Obsidian. Por sinal, como ambos são editores de markdown, eles conversam bem entre si.

Mas o que é markdown, afinal? Markdown é uma linguagem que permite que você defina como será a formatação do seu texto adicionando elementos sintáticos ao “plain text”. Por exemplo, como estou escrevendo este post no Ulysses — aliás, esqueci de falar acima que ele exporta direto para o Medium! — para definir que certas palavras devem aparecer para você, leitor, em itálico, eu as coloco entre asteriscos. Se fossem dois asteriscos, as palavras estariam aparecendo para você em negrito.

Para quem usa gráficos e tabelas constantemente, essa opção de escrever em markdown oferece alguma dificuldade. Mas, para quem, como eu, escreve apenas texto corrido, ela é perfeita. São poucos códigos que você decora em minutos, ou usa o menu do aplicativo para se lembrar de algum, e, quando o texto está pronto, você exporta para o formato de sua escolha: doc, pdf, epub… Uma vez exportado, o texto aparece formatado e os códigos inseridos desaparecem.

O único inconveniente é que não existe uma linguagem markdown completamente padronizada, de tal maneira que os códigos podem variar de aplicativo para aplicativo. Por exemplo, se eu quiser inserir um highlight no Ulysses, eu coloco as palavras a serem destacadas entre dois pontos, usados duas vezes tanto no início quanto no fim da passagem, mas, no Obsidian, eu teria que usar o sinal de igual em vez do de dois pontos. Claro que seria melhor se houvesse uma padronização para tudo.

Uma grande vantagem de escrever em markdown que eu gostaria de destacar é que podemos deixar o fundo da tela completamente escuro, com o texto em branco, o que é sempre a minha preferência (dark mode é vida!). Editores de texto convencionais (de rich text) ficam apenas com os menus escuros quando optamos pelo dark mode. Acho que isso não ajuda em nada.

Muito bem, como tenho dito, quando escrevemos em markdown, mas também por escrevermos um mesmo texto em diferentes unidades, como as folhas do Ulysses, ao final do trabalho, precisamos exportar o texto do editor de nossa escolha. Só aí eu uso o famigerado Word.

Detesto todos os programas da Microsoft, porque acho a interface ao usuário sempre poluída demais, com milhares de menus e ferramentas expostas. Mas tenho que usar o Word, porque, infelizmente, é o padrão. Antes de enviar o arquivo para alguém com quem eu esteja colaborando, eu o adequo às normas exigidas usando uma versão atualizada do Word e verifico se está tudo perfeito no tocante à formatação.

Aqui, vale apontar que a grande limitação de apps como Ulysses e Scrivener é justamente a colaboração. No momento em que outra pessoa entra no seu fluxo de trabalho, pronto, infelizmente, acabou a festa, pois é hora de partir para apps mais caretas. Então, é este o papel do Word na minha caixa de ferramentas: finalização com vistas à colaboração.

Eu pretendia falar de mais apps hoje, mas vou ficando por aqui, porque o post já está longo demais de novo. Em uma próxima oportunidade, eu comento sobre PDF Expert, LiquidText, LumaFusion. ..

Professora de filosofia