Sabe, eu descobri o segredo da felicidade. Eu sei o que você está pensando. Na melhor das hipóteses, essa afirmação é pretensiosa. Na pior, é simplesmente patética. Mas você está errado. O segredo nem é mais segredo, isso é verdade mesmo. Ele já foi revelado e apenas precisa ser sempre relembrado, porque nós queremos esquecê-lo. Talvez, não queiramos ser felizes e, por isso, enterramos a verdade sempre de novo e de novo. É um paradoxo? Nós não queremos ser felizes mais do que tudo?

Bom, eu não vou pegar esse desvio e começar a divagar muito sobre a natureza da felicidade. O que é a felicidade? Quando você é feliz, você simplesmente sabe. E pode ser, sim, que a gente não queira ser feliz mais do que tudo. Afinal, nós somos seres que se desenvolveram para serem preguiçosos, enquanto a felicidade exige um certo esforço. Muito esforço? Alguns chamam de despertar. Pois, continuar dormindo é mais cômodo. Mas chega de delongas. Eu estou enrolando. Vamos logo ao segredo da felicidade.

O segredo da felicidade tem várias etapas. A primeira delas é pensar sobre quais são suas necessidades reais. Você realmente precisa de um apartamento tão grande? A metragem do seu apartamento faz diferença para a sua vida cotidiana, ou é só algo para exibir para os amigos? E o seu endereço? Tem que ser esse mesmo, ou você até suporta o trânsito só para poder encher a boca ao dizer onde mora? De que você precisa realmente para você, e não para ostentar para os outros? Você tem que descobrir isso. Aí começa a segunda etapa.

Na segunda etapa, você pensa em quem são as pessoas que podem tirar de você aquilo que você realmente ama, aquilo que você descobriu na primeira etapa, aquilo sem o que você realmente não pode viver. O truque aqui é reduzir ao máximo a lista de bens da primeira etapa para esta lista aqui ficar bem pequenininha. Nós a queremos bem pequenininha.

Depois, você lista as pessoas que você quer agradar, não porque elas podem tirar de você o que você ama, mas porque você realmente as ama. Você admira essas pessoas a tal ponto que o bom juízo delas a seu respeito é um bem em si mesmo para você. Tem pouca gente assim na sua vida, não é mesmo? Agora, vem a última etapa.

A última etapa é a mais importante. Se alguém está fora das duas listas de pessoas acima, você treina, mas treina muito mesmo, para ser alheio ao que essa pessoa pensa de você. E, então, meu amigo, e só então, você descobre a verdadeira liberdade, a liberdade que te leva direto para a verdadeira felicidade. Você começa a fazer as coisas que você realmente quer fazer.

Tá, eu sei, em certo sentido, tudo que você faz por si mesmo você quer fazer. São ações intencionais e blá blá blá. Mas tem outro sentido de querer, sabe? Há um sentido mais forte e pleno de vontade. É que você passa tanto tempo agindo por obrigação ou como um meio para conseguir algo mais que você até já se esqueceu desse outro sentido. Mas tem um sentido em que você faz o que quer e isso é mais do que agir intencionalmente. Você faz com gosto, faz porque realmente sente vontade de fazer. Gente que vive fazendo o que tem vontade de fazer é gente feliz. Pronto! Taí, de uma vez só, eu te disse o que é a felicidade e como chegar a ela. De nada.

Mas você tem coragem?

Professora de filosofia

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