Notas sobre MacIntyre, After Virtue

Com décadas de atraso, comecei a ler After Virtue: A Study in Moral Theory. Li o Prólogo e o Prefácio da terceira edição. Achei interessante que Alasdair MacIntyre negue ser um comunitarista, o que eu sempre achei que ele fosse. No caso, ele nega atribuir valor intrínseco a comunidades. Pelo que entendi, ele acredita que certos bens comunitários são essenciais para que conquistemos o bem humano, mas não que qualquer comunidade encarne esses bens comunitários. Inclusive, ele diz que algumas comunidades podem ser muito opressivas.

MacIntyre também se afasta do conservadorismo. Todavia, quando ele critica o conservadorismo, ele o qualifica como contemporâneo. Seu problema com essa forma de conservadorismo é o individualismo livre-mercadista. Fiquei pensando que ele poderia ter afinidades com o conservadorismo moderno de Burke, Oakeshott e Sidgwick.

Também achei interessante o que MacIntyre diz sobre ter passado a acreditar que suas teses precisam de um fundamento biológico, já que, para ele, o bem humano estaria ligado à natureza humana, como em Aristóteles. Só que ele não está pensando na biologia de Aristóteles, claro. Creio que esse ponto, inclusive, se ligue à sua crítica aos filósofos morais que, ao estilo de Oxford, se limitam a filosofar sobre conceitos morais com base no que eles mesmos e as pessoas próximas a eles dizem e fazem. A filosofia analítica tem mesmo esse defeito. Muita experiência pessoal passa por intuição moral e esta última tem espaço por demais na filosofia. Uma filosofia que dialogue mais com a ciência me soa mais atraente.

Por fim, também achei interessante o modo como MacIntyre nega ser um pós-moderno, rejeitando o relativismo social, mesmo que ele reconheça não aceitar padrões objetivos e universais, com base nos quais poderíamos criticar tradições imparcialmente. Sua metodologia se baseia em um apelo à imaginação filosófica, pois deveríamos compreender a fundo uma tradição rival à que queremos defender, colocando-nos no lugar de seus defensores e construindo a partir dela questões relevantes que essa mesma tradição aceitaria não ter como responder. Então, uma outra tradição seria defendida por ter os recursos necessários para lidar com esses problemas que surgem na tradição rival. Isso me interessa, porque ele está falando de problemas da tradição moderna que seriam insolúveis a partir de seus próprios recursos. Se entendi bem, esses problemas têm muito a ver com a incomensurabilidade de valores, que venho estudando, e suas consequências quanto à impossibilidade de respostas certas para problemas práticos.

Enfim, estou fazendo essa leitura em minhas horas vagas. Não é o objeto da minha pesquisa no momento. Mas posso voltar ao assunto no futuro, conforme eu tenha tempo para seguir a leitura. Se você souber mais que eu sobre MacIntyre, o que é fácil, e quiser comentar esses pontos, sinta-se à vontade. Vou gostar de aprender com você.

Sou professora de filosofia. Escrevo sobre temas ligados à ética, à filosofia política, à filosofia política e à prática de pesquisa.

Sou professora de filosofia. Escrevo sobre temas ligados à ética, à filosofia política, à filosofia política e à prática de pesquisa.