Breve reflexão sobre desigualdade

Photo by Ishan @seefromthesky on Unsplash

Costuma ser notado com frequência por economistas que, desde os anos 80 do século XX, o crescimento da renda da classe média não acompanha mais o crescimento da produtividade nas economias capitalistas, o que, é claro, vem aumentando o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Pensadores de direita tendem a reagir a esse fenômeno desqualificando a igualdade como valor moral e/ou político ou explicando que a economia não é um jogo de soma zero. Mas nada altera o fato do Homer Simpson estar morrendo, o que deveria preocupar a todos nós.

Décadas atrás, o sujeito arrumava um único emprego em uma fábrica que lhe permitia sustentar a família, ter casa própria, tempo para o lazer e um dinheirinho ainda sobrando para o consumo de bugigangas. Hoje em dia, para ter o mesmo padrão de vida, o sujeito precisa empreender e, muitas vezes, isso significa arrumar um jeito de tirar dinheiro licitamente dos podres de rico.

Quem mais, se não alguém podre de rico, iria querer, por exemplo, pagar R$400,00 em uma garrafa de cachaça só porque colocaram partículas de ouro dentro dela? Pois é, foi esse empreendimento que acabei de ver justamente em um programa chamado “pequenas empresas, grandes negócios”. No caso, o negócio do sujeito é dar a alguém podre de rico a oportunidade de dizer que ele bebe ouro. Genial! O sujeito é realmente um empreendedor, não nego. Mas quem não vê que uma sociedade cuja economia, cada vez mais, é baseada na bajulação dos podres de rico está fadada à ruína está precisando é de um par de óculos de ouro, cravejado de diamantes, feito à mão por criancinhas do Ubezquitão, mas desenhado na Califórnia.

Professora de filosofia

Professora de filosofia